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Mercer
Estudo global sobre práticas de remuneração
Crise financeira ditou novas regras nos pacotes de remuneração das instituições financeiras

Mercer lança único estudo global sobre práticas de remuneração no sector financeiro


Portugal
Lisboa, 12 August 2010

 


  • Progresso significativo na aplicação das directrizes estabelecidas pelas entidades reguladoras, relativamente ao papel do bónus
  • Prevê-se que nova legislação europeia seja ainda mais severa
  • Maioria das instituições financeiras diminuiu o peso do prémio anual em dinheiro nos planos de compensação, aumentando o valor do salário-base

 

Segundo o estudo da consultora Mercer “Executive Incentive Plan Snapshot Survey”, a maioria das instituições financeiras diminuiu o peso monetário do prémio anual nos planos de compensação dos seus colaboradores, aumentando o valor do salário-base e a utilização de esquemas de compensação diferidos. Estas mudanças decorrem da preocupação das entidades reguladoras com o facto da cultura de bónus de curto-prazo, utilizada habitualmente neste sector, encorajar a tomada de riscos excessivos, o que contribuiu para a crise financeira actual.

 

Apesar das mudanças implementadas voluntariamente no sector de serviços financeiros, espera-se que a nova legislação que será lançada pela União Europeia no início de 2011 seja ainda mais severa. Esta legislação deverá limitar o prémio em dinheiro aos trabalhadores do sector a um máximo de 30%, devendo o bónus remanescente ser entregue em pagamentos diferidos e ligado a factores de desempenho a longo termo, com 50% pago em acções. Alinhada com a tendência europeia, a Reserva Federal norte-americana lançou recentemente uma regulamentação específica para os incentivos no sector bancário, que acarretam maior vigilância às práticas remuneratórias de risco das instituições, desencorajando a exposição ao risco excessivo.

 

Segundo Diogo Alarcão, Partner da Mercer, “este estudo demonstra que tem existido um progresso significativo, a nível global, na resposta às orientações provenientes dos organismos reguladores. No entanto, ainda há muito a fazer para ir totalmente ao encontro do que os reguladores pretendem, sobretudo no que respeita a garantir que a avaliação de desempenho esteja alinhada com a natureza e horizonte temporal dos riscos”. O estudo demonstra as mudanças ocorridas nas práticas de remuneração, como resposta à crise financeira e às directrizes dos reguladores, e pode verificar-se que são positivas. A nível interno, as empresas têm-se reorganizado e, por exemplo, cerca de 2/3 das organizações alteraram a composição das suas Comissões de Remuneração e organizam acções de formação contínua para os membros destas comissões, encorajando a sua participação.

 

Quase todos os participantes no estudo afirmam ter mudado o peso dos elementos do pacote remuneratório. 70% aumentaram o valor do salário-base, diminuindo o prémio anual em dinheiro e o peso dos incentivos a longo-prazo aumentou em 56% dos participantes. 38% das empresas reduziram também a proporção entre as stock options e os incentivos a longo-prazo. Mais de 65% das empresas têm programas obrigatórios de prémios diferidos, mas apenas 40% introduziram normas que permitem recuperar parte do prémio diferido, caso o desempenho não seja o desejado. Este tipo de norma é sobretudo utilizado pelas empresas europeias e pode estar ligado ao desempenho global da organização.

 

80% das organizações já têm um plano de incentivos a longo-prazo e 10% planeiam a sua implementação. Os planos share-based são os mais frequentes (78%), onde 52% das empresas oferecem stock options e 48% planos baseados em pagamentos em dinheiro. 94% dos participantes já implementaram mudanças, ou planeiam fazer, nos seus planos anuais de incentivos a curto-prazo. Estes incentivos anuais foram drasticamente reduzidos desde 2009, com 57% das empresas a limitarem ou eliminarem este benefício.

 

A maioria das instituições tem vindo a introduzir métricas não financeiras para aferir o desempenho. São disso exemplo critérios como o nível de satisfação do cliente ou a gestão de risco. Verifica-se, igualmente, uma crescente preocupação com a sustentabilidade a longo-prazo. Contudo, a maior parte das empresas não alinha os benefícios dos seus executivos de topo com os das equipas que estes lideram.

 

O estudo Executive Incentive Plan Snapshot Survey analisou dados de 39 organizações de serviços financeiros. 66% dos inquiridos são bancos, 26% companhias seguradoras e os restantes 8% pertencem a outros sectores. Dois 2/3 das empresas estão sedeadas na Europa e as restantes nos Estados Unidos da América. Este estudo pretende investigar como está a mudar a actuação das organizações do sector financeiro em relação à remuneração de executivos e planos de incentivos, à luz das regras emanadas pelo Financial Stability Board, o novo organismo regulador criado pelo G20 para identificar problemas no sistema financeiro a nível global.

 


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